terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Box Burn'Eat - Almodôvar


Abriu portas no passado Sábado a primeira Box em Almodôvar!

Parabéns André Filipe e Rúdi Remédios pelo projecto!

FITSalvador e Box 11 desejaM-vos muita sorte :D

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Treino de força em crianças e adolescentes... Sim ou não?

Actualmente a presença dos pais nas actividades dos filhos é cada vez mais frequente. Esta participação é feita a todos os níveis quer escolar, social e desportivo. A participação dos pais na actividade desportiva deve ser  positiva e tem de ser sempre(!) uma mais-valia. Uma presença negativa tem sempre mais consequências que muitas presenças positivas.

Todos nós gostaríamos que o nosso filho fosse o próximo CR7... 

Com isso tem surgido um interesse no desenvolvimento atlético a longo prazo das nossas crianças. 


As recomendações correntes indicam-nos que devem participar diariamente em 60 ou mais minutos de actividade física "moderada a forte" para um desenvolvimento apropriado. O exercício físico regular não é apenas essencial para o normal desenvolvimento e crescimento, como também pode ajudar a reduzir o risco de doenças crónicas durante a idade adulta.

Além das típicas brincadeiras da "apanhada", do "esconda", da macaca - que primam pela sua vertente aeróbia-, a National Strength and Conditioning Association publicou um artigo em 2009 onde defende a utilização do treino de força em crianças e adolescentes.
Esta tomada de posição foi baseada numa análise abrangente de evidências científicas pertinentes sobre os efeitos anatómicos, fisiológicos e psicossociais do treino de força (resistance training). Um painel de especialistas da medicina desportiva,  treinadores/ professores com experiência clínica e prática desde exercício pediátrico, e treino de força contribuíram também.

Durante muitos anos o "levantamento de pesos", como ouvíamos chamar ao treino de força, foi visto como prejudicial e com um alto risco de lesão associado. Porém, muitas das lesões reportadas foram causadas, essencialmente, por técnica inadequada, excesso de carga, equipamento defeituoso e falta de supervisão qualificada. Durante toda a pesquisa foram encontrados apenas 3(!!!) artigos publicados que declararam lesões em crianças. O mais "grave" necessitou de uma semana de repouso.




É claro que, como em qualquer actividade, há sempre riscos e benefícios inerentes à prática. O risco de lesão no treino de força pode (e deve!) ser minimizado através de uma supervisão qualificada, prescrição apropriada, progressões adaptadas à realidade de cada criança e, escolha cuidadosa do equipamento a utilizar. A carga, o volume de treino, repouso e individualização devem também ser factores obrigatórios a ter em conta.
Durante a infância e adolescência, factores psicológicos relacionados com o crescimento e desenvolvimento são uma constante no processo de evolução. Um sem número de estudos científicos provam que crianças e adolescentes podem aumentar os seus índices de força - bem acima do processo de crescimento e maturação - realçando assim que um treino de força bem estruturado trará benefícios únicos.

Grande parte das forças a que as nossas crianças estão expostas nas diferentes modalidades podem ser bem maiores quer em tempo de exposição e magnitude do que, por exemplo, um teste de 1RM. 

Além das aparentes adaptações neuromusculares e possíveis adaptações musculares intrínsecas, este tipo de treino reduz o risco de possíveis doenças cardiovasculares, facilita o controlo de peso, fortalece os ossos, melhora as capacidades psicossociais, aumenta as habilidades motoras e diminui o risco de possíveis lesões.

Mesmo em crianças e adolescentes obesos - que são tradicionalmente encorajados a participar em atividades aeróbias, aumentando assim o risco de lesão (excesso de peso e movimentos repetitivos causam desgaste nas articulações) -, os mais recentes estudos reportam mudanças favoráveis na composição corporal após participarem num programa de treino de força (HIRT) ou treino de força em circuito (HICT).





Em suma, se as guidelines forem respeitadas, se cada programa de treino for prescrito de uma forma individualizada, ciente das virtudes e defeitos de cada um, se as crianças/adolescentes forem encorajados a melhorar e a ter prazer nos resultados que obtêm, os efeitos deste tipo de treino são únicos.

Mas lembrem-se: o mais importante de tudo é a felicidade das crianças, o prazer que devem sentir nas actividades que estão a realizar. Para que tudo isto faça sentido há que cultivar o gosto pela prática desportiva, pelos bons hábitos, pelo respeito próprio e principalmente o respeito pelos outros!


Bibliografia:
J Strength Cond Res. 2009 Aug;23(5 Suppl):S60-79. doi: 10.1519/JSC.0b013e31819df407.

Youth resistance training: updated position statement paper from the national strength and conditioning association.

Faigenbaum AD, Kraemer WJ, Blimkie CJ, Jeffreys I, Micheli LJ, Nitka M, Rowland TW.

domingo, 8 de janeiro de 2017

FIT Leaks - The Dark Side of Fitness Industry

Temos um código genético bem vincado por 2 milhões de anos de evolução e adaptações, que dificilmente será suplantado por alternativas bioquímicas e ociosas, ou constantes mutações das novas tendências de mercado!

Há mais ciência para além do ACSM, NASM, WHO, ACE...

welcome to the dark side
welcome to the dark side

domingo, 1 de janeiro de 2017

A intensidade do treino afecta a vontade de comer...

Por todo o mundo debatem-se as melhores estratégias para o FAT LOSS, muitas vezes centradas apenas no treino e na nutrição...

Esquecemo-nos de que mais de 60% da energia que gastamos, corresponde a períodos em que não estamos nem a "mexer" nem a comer.

Todas as estratégias, todas as directrizes, todas as novas modas e tendências falham porque olham apenas para 40% do processo...

Ponhamos em perspectiva, levámos 2.000.000 (2 milhões) de anos aprimorando um sistema que ainda hoje nos trama.

A espécie humana sobreviveu pela sua incrível capacidade de adaptação. Nós já passámos MUITA fome!!!! E parar era morrer.

Portanto, durante milhares de anos fizemos travessias enormes de estômago vazio procurando alimento. E assim, conseguimos aperfeiçoar o nosso organismo a ser uma máquina eficiente na gestão de energia (metabolismo). Qual seria a mensagem que o nosso sistema nervoso recebia quando se deparava com privação de alimento e longas travessias?? Poupança de energia, que na prática significa reduzir o metabolismo.

E o que faz o homem do séc XXI para combater a obesidade??
Corta a ração e horas de exercício (cardio/calçadão) com fartura! Que sinal enviamos ao nossos sistemas fantásticos?? 

Porque razão pacientes que colocam banda gástrica, passados 12 meses, voltam a recuperar o peso perdido, se ficam com menos 70% do volume do estômago??!?! Se comem menos, como é possivel voltar a ganhar peso??

Enfim, as bandas gástricas ficam para outro dia...  

Muitas vezes a eficiência e efectividade do treino é sabotada pelos efeitos compensatórios, nomeadamente na ingestão de energia.

Assim, temos mais uma variável em que pensar quando pensarmos em nos exercitar: qual o exercício que dá mais fome? ou melhor, qual o exercício que me leva a comer mais GORDURAS?!?!?

Cardio vs Força??
Intensidades baixas vs altas??

Investigadores australianos quiseram comparar o efeito compensatório no comportamento alimentar (sensação de apetite, "gostar e querer", ingestão de comida e preferência de nutrientes), em dois protocolos de treino intervalados: alta e moderada intensidade

Dez homens com sobrepeso e obesos participaram em 2 programas de 4 semanas cada um, separados por 6 semanas de detraining wash-out.

Moderada Intensidade (MIIT): intervalos de 5min a 20% do trabalho (joules) aos 45%VO2peak, ou seja 9% VO2?!?!?

Alta Intensidade (HIIT): Intervalos de 30seg a 90%VO2peak e 30s de pausa, durante 30-45min

O primeiro dado que salta logo à vista é que o grupo MIIT pedalou mais do dobro e durante mais do dobro do tempo do HIIT (p < .001). Boring!!!

Registou-se uma tendência compensatória no grupo MIIT, comparando com o HIIT, no que respeita ao desejo de comer e consumo de gordura após a intervenção.

No gráfico 1, verificamos que o desejo de comer aumentou no MIIT e reduziu no HIIT, aproximando-se da significância (p = ,07).
No gráfico 2, relativamente ao "gostar e querer", o desejo por alimentos ricos em gordura não doces (HFNS), ricos em gordura e doces (HFSW), baixos em gordura não doces (LFNS), e baixos em gordura e doces (LFSW), para o grupo HIIT manteve-se negativo em todos, aproximando-se da significância relativamente ao MIIT (p = .09)


No gráfico 3, constatamos que, após as 4 semanas de intervenção para cada protocolo, a ingestão de energia (em gramas e kcal) apenas foi menor no HIIT.
O gráfico 4 mostra que o consumo de gordura aumentou 38% após MIIT e reduziu 16% após HIIT (p = .07)!!!!


E como corolário da nossa teoria antropológica bacoca, o gráfico 5 mostra algo realmente impressiontante. Ambos os protocolos melhoraram a sua eficiência lipolítica (metabolização de gorduras), mas apenas o HIIT reduziu a ingestão de gorduras após a intervenção.



Será que o princípio da supercompensação também se aplica ao substrato energético?!??
Ou seja, o substrato energético utilizado durante o exercício irá ser, não apenas reposto, mas reforçado??
Então, os protocolos de treino que queimam principalmente gorduras (baixa e moderada intensidade) terão como resposta ingerir mais gorduras???

Calçadão, para que te quero?
Para distrair, passar o tempo, desfrutar da natureza, para vender gadgets, para dançar, para fazer novos amigos... ok. FAT LOSS?? 0!
  
Este estudo mostra também que o (agora) tão famoso treino intervalado de alta intensidade, tabatas e afins, é muito mais do que usar um timer com buzinas...

Alta intensidade doí, moderada intensidade engorda...
 
Não hibernem... INCINEREM!!!
EVIDENCE vs BULLSHIT



Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2014 Dec;24(6):595-604. doi: 10.1123/ijsnem.2013-0032. Epub 2014 Mar 25.